As macieiras encontraram boas condições na Ilha da Madeira. O «vinho de pêros» fazia parte dos mantimentos que os navegadores portugueses vinham buscar à ilha no século XV. A produção artesanal e o consumo de sidra mantiveram-se circunscritas, até há alguns anos, às localidades das zonas mais propícias ao desenvolvimento de pomares de macieiras.

Nas últimas décadas, criou-se tradição de fabrico de sidra na zona Oeste fruto do trabalho do projecto Quinta Pedagógica dos Prazeres, sob a liderança do Padre Rui Sousa, para o aproveitamento da maçã e para a defesa do património genético vegetal. Da parceria entre a Paróquia dos Prazeres e a Secretaria Regional da Agricultura resultou o apoio técnico da Engenheira Regina Pereira. Foi alcançado o melhoramento do produto e a primeira sidra engarrafada licenciada do país teve o selo da Quinta Pedagógica dos Prazeres.

A organização do sector iniciou-se com a criação da Associação de Produtores de Sidra, em 2016. Numa conferência realizada na freguesia dos Prazeres pela Engenheira Ana Soeiro, diretora da QUALIFICA Portugal, surge a ideia de alcançar a Indicação Geográfica Protegida. A sidra ganhou maior visibilidade, cativou novos consumidores e adquiriu uma crescente qualidade, como atestam os prémios nacionais e estrangeiros. Entretanto, o Governo Regional regulamentou o sector da sidra e criou a rede de sidrarias.

Após a colheita em diversas localidades da ilha, faz-se a seleção e lavagem dos frutos. Seguidamente, as maçãs são cortadas e retalhadas através de processos de trituração mecânica, para a máxima extração do sumo.

A fermentação do sumo decorre, geralmente, com os compostos naturais e as condições provenientes dos frutos e com os microrganismos do mosto e dos recipientes de fermentação. Contudo, podem ser utilizados auxiliares tecnológicos e realizadas práticas e tratamentos enológicos aprovados para a obtenção de sidra natural.

Fruto da experiência de várias gerações, os produtores sabem quanto tempo após a “fervura do mosto” deixam repousar a sidra para a sua estabilização. A sidra está pronta após esse repouso, podendo ser trasfegada para pipas de madeira, onde decorre o estágio, ou para reservatórios mais inertes como tanques de inox ou outros onde é conservada até o seu engarrafamento. Após ser engarrafada, procede-se à rotulagem.

De forma a selar a garrafa pode-se fazer a lacragem, e, assim, assegurar a longevidade do conteúdo à semelhança do que acontece com o vinho. Depois de as garrafas serem embaladas em caixas, são armazenadas e seguem para os estabelecimentos de venda a retalho, de forma a chegar ao consumidor final.

O grau da Sidra da Madeira varia entre os cinco e os sete por cento de volume de álcool e a sua cor vai do amarelo citrino ao amarelo palha, com nuances alaranjadas. Já no aroma, com um caráter frutado de média a forte intensidade, revela notas citrinas ou de maçã verde a notas mais maduras, que lembram o marmelo. Com baixo açúcar residual, derivado de fermentações quase completas, o seu paladar tem boa acidez, com algum tanino à mistura, dependendo da variedade de maçãs utilizada. O solo da ilha, sobretudo vulcânico, é rico em matéria orgânica e de elevada acidez. As fermentações a baixas temperaturas ajudam a manter aromas e sabores, que variam conforme o seu envelhecimento em garrafa ou barricas.

Além da sidra natural, esta bebida tem outras possibilidades de utilização como a adição de sabores com frutos naturais da Ilha, em que a Sidra Rosa, a Sidra Tangerina ou a Sidra Pitanga são exemplos, e como substituto do vinho ou da cerveja em cocktails como a Nikita ou a Sangria. A marca aRRebITa tem um concentrado de Sidra Quente, que deve ser harmonizado com sidra natural, uma bebida para ser consumida nos dias mais frios, com um pauzinho de canela, casca de limão e funcho, como é tradição em algumas localidades da Madeira.

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Agradecimento à Sidraria dos Prazeres e toda a equipa

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