Visitámos alguns agricultores, a norte e a sul, para conhecer a sua experiência, motivações, técnicas de descasque e torragem, bem como as suas opiniões sobre o futuro do café na Ilha da Madeira. Há registos de que o café é plantado na Ilha da Madeira desde o século XVIII. Actualmente, o café ganha mais interesse entre os madeirenses, seja para consumo familiar ou para comercialização.
«Há cerca de 25 anos [o cafeeiro] ainda era frequente na região baixa do sul da ilha. O café madeirense era de excelente qualidade e rivalizava com o de Moca.»
---Elucidário Madeirense (Vol. I, 1.ª edição de 1921)
«O café dá-se muito bem na Madeira. Um homem com uma família assegurou-me que apenas uma árvore produzia café suficiente para o seu consumo caseiro durante todo o ano. Em sabor não é fácil distinguir do café importado, embora não parecesse ter a mesma força e era um pouco amargo, talvez consequência de ter sido apanhado da árvore um pouco prematuramente.»
---Jens Rathke, botanista e zoólogo norueguês (diário da viagem à Madeira, no final do século XVIII: 1798-1799)
«A sua formosa flor branca, parecida à do jasmim, liberta um aroma muito delicado, embora ténue, comparável ao da flor da laranjeira, e cresce em pequenos aglomerados nas axilas das folhas»; «os grãos de café na Madeira são pequenos e parecidos aos de moca [planta coffea arabica], de onde procederam, segundo afirmam os portugueses»; «a totalidade do café colhido é consumido na ilha, onde custa um pouco mais do que o café importado, porque é considerado, com razão, melhor»; «na Madeira o café cresce só na vertente sul e acima dos 600 pés em relação ao nível do mar; em redor do Funchal há muitas pequenas plantações, mas nenhuma grande.»
---Hermann Schacht, botanista e farmacêutico alemão (“Madeira und Tenerife mit ibrer Vegetation”, capítulo “O café (coffea arabica) na Madeira”: 1859)
Agricultores madeirenses entrevistados e respetiva localidade (pela ordem no vídeo): Dalila Cunha, São Jorge; José Branco, São Jorge; Maria Veríssimo, Machico; Pedro Silva, Estreito da Calheta; Rui Sousa, Estreito da Calheta; Carlos Magro, Arco da Calheta; Jorge Cipriano, Funchal.
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Agradecimento a todos os participantes e envolvidos na produção do vídeo O Café.
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