A flor de bananeira é um produto que reúne dois propósitos: inovar e fazer o aproveitamento de matéria prima existente em abundância na Ilha da Madeira.

Esta é a região do país em que a bananeira é cultivada em escala comercial, onde existem bananais de grandes dimensões. Estima-se que a introdução da cultura data de meados do século dezasseis, com maior incremento apenas na segunda metade do século dezanove, altura em que a Ilha se tornou o primeiro centro exportador de banana para a Europa, mas a produção só ganhou importância decisiva na economia da Madeira no século vinte. O Museu da Banana da Madeira – BAM apresenta informação detalhada sobre a cultura da banana na Ilha de um modo atrativo e disponibiliza visitas guiadas.

Como exigem muito calor e humidade, os bananais situam-se na costa mais quente, virada a sul, sobretudo a cotas mais baixas, até aos duzentos e cinquenta metros de altitude, embora as alterações climáticas permitam hoje as bananeiras subirem até aos quatrocentos e cinquenta metros. Os bananais exigem ainda boa irrigação.

Destinada à exportação, a espécie mais cultivada a partir do século dezanove é a bananeira anã (Musa cavendishii), conhecida na Ilha por bananeira de Demerara, uma vez que fora importada desta região do continente americano. Cultiva-se ainda outras variedades, num total de dezassete espécies, como a banana-prata ou a banana-maçã, mas em pequena quantidade.

A bananeira é uma planta herbácea, cuja origem é atribuída ao sudeste asiático, que se multiplica através de rebentos emitidos a partir da base. Depois de originarem folhas, emerge do centro do “caule” da planta um escape ou eixo floral, no qual os primeiros grupos de flores originam o fruto comestível. Os frutos, em bagos alongados, são dispostos em cachos.

Cada bananeira dá um cacho de bananas e este tem um pêndulo, que se forma abaixo do último cacho ou penca de banana ainda verde. Conhecido como coração, botão floral ou flor masculina da bananeira, tem um formato de cone em que as suas folhas, que protegem as flores, apresentam uma coloração roxa-avermelhada. Na Madeira, é conhecido, popularmente, como “pinguilo”, cuja flor pode ser aproveitada para consumo humano.

Para retirar o pinguilo da bananeira aconselha-se a aguardar cerca de quinze dias depois que a última penca de banana se abrir. Para cortá-lo, há quem recomende esperar até haver uma distância média de quinze centímetros entre o pinguilo e a essa última penca de banana. Torcer com a mão pode ser suficiente para quebrar ou então cortar com uma ferramenta apropriada. Diz-se que a sua remoção faz com que o cacho de banana absorva mais nutrientes da bananeira, o que fortalece o crescimento do fruto.

As flores masculinas, que não se desenvolvem em fruto e estão presas na haste do pinguilo, entre as folhas ou brácteas, dispostas em espiga, são utilizadas para fabricar o produto pickles Flor de Bananeira aRRebITa. A flor possui os seguintes componentes, assentes na sua base peduncular: as sépalas do cálice, que são as pequenas folhas situadas na base externa das pétalas, e as pétalas da flor que protegem e ladeiam o estame, o componente interno com o formato de um pequeno bastão, composto pelo estilete e a antera.

No processo de produção, o estame é retirado, por ser duro, bem como é removida a sépola diferenciada, formação morfológica para facilitar a polinização, que contém um néctar para atração dos agentes polinizadores. É um trabalho manual minucioso, repetitivo e demorado. As flores vão sendo colocadas num recipiente com água. No final, vão a cozinhar. Depois de cozida, a flor é embalada em frascos com vinagre de sidra, que são posteriormente rotulados e comercializados.

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Agradecimento ao Museu da Banana da Madeira – BAM e toda a equipa

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