Pensa-se que as plantas de café selvagens, espécies de Coffea, eram nativas de uma região do planalto etíope conhecida como Kefa, mas a história exacta da sua origem e domesticação permanece pouco clara, envolta em lendas.

Talvez já no século XV, as plantas de café foram levadas através do Mar Vermelho para o sul da Arábia (Iémen) e cultivadas. Qualquer que seja a verdadeira origem do café, o seu efeito estimulante tornou-o sem dúvida popular na Arábia. Denominadas qahveh khanehs, as casas de café surgiram em Meca no século XV e em Constantinopla (atual Istambul) no século XVI. Tornaram-se locais de encontro populares. O café tornou-se especialmente popular na Turquia e a expansão do Império Otomano levou a bebida a muitos outros locais. Espalhou-se rapidamente e no final do século XVII a bebida florescia em quase toda a Europa. Na Madeira, as referências históricas à plantação de cafeeiros remonta ao século XVIII.

Se até ao final do século XVII, o abastecimento mundial de café era obtido quase exclusivamente na província do Iémen, no sul da Arábia, no século XX, a maior concentração da produção estava centrada no hemisfério ocidental, em especial no Brasil.

Em 2020, os principais países produtores de café eram o Brasil, o Vietname, a Colômbia, a Indonésia e a Etiópia. O interesse pelo café biológico, de comércio justo e cultivado de forma sustentável aumentou no final do século XX e início do século XXI, levando a mudanças nos métodos de produção em alguns locais. O aquecimento global, em particular os aumentos previstos de calor e seca extremos, pode ameaçar a estabilidade da indústria do café, uma vez que os agricultores lutam para se adaptar em regiões vulneráveis.

Apesar de ser chamado de “grão”, o café é, na verdade, um fruto. Os “grãos” crescem num arbusto e encontram-se no centro de uma baga, conhecida como cereja de café. São utilizados dois tipos de grãos de café para consumo: Robusta e Arábica. O Arábica tem uma acidez mais baixa e um sabor mais suave, enquanto o Robusta é mais ácido e amargo.

Cultivo e produção do café

As duas principais espécies de plantas de café são a Arábica (Coffea arabica) e a Robusta (Coffea canephora). A espécie de café Arábica é cultivada principalmente na América Latina, enquanto a variedade Robusta predomina em África. Considera-se que a planta de café arábica produz uma bebida mais suave, saborosa e aromática do que a planta robusta, embora esta última seja mais resistente e, portanto, mais barata de produzir, e tenha o dobro do teor de cafeína do arábica.

Os fatores climáticos mais importantes para o cultivo do café são a temperatura e a precipitação. As temperaturas entre 23 e 28 °C são as mais favoráveis. É necessária uma precipitação de 1.500 a 2.000 mm por ano, juntamente com um período seco de dois a três meses para o Arábica. Enquanto a Robusta pode crescer em altitudes até 600 metros, a Arábica cresce entre os 600 e os 2 mil metros. Esta requer muita humidade e requisitos bastante específicos de sombra.

O café tem sido tradicionalmente cultivado na sombra de outras árvores, o que imita as condições naturais de crescimento das plantas em um sub-bosque florestal. Permite maior rentabilização produtiva da terra e é um método de cultivo mais sustentável. O café cultivado na sombra é considerado mais trabalhoso do que o café cultivado ao sol e produz rendimentos menores. No entanto, ele produz um sabor superior nos grãos e é frequentemente vendido a preços mais altos como um café especial.

Para atingir maior produtividade, muitas plantações de café foram convertidas para a metodologia de "cultivo ao sol", causando o desmatamento de grandes áreas da América Central e outras regiões produtoras de café. Cultivadas como monoculturas, as plantas de café cultivadas ao sol são mais vulneráveis a doenças e, portanto, requerem maior uso de pesticidas do que o café cultivado à sombra. O café robusta é mais bem adaptado como uma planta de café cultivada ao sol do que o arábica.

O tempo entre a floração e a maturação da fruta varia consideravelmente com a variedade e o clima. Para o Arábica é cerca de sete meses e para o Robusta cerca de nove meses. Os frutos maduros da planta do café são conhecidos como cerejas de café, e cada cereja geralmente contém duas sementes de café (“grãos”) posicionadas planas uma contra a outra. Cerca de 5% das cerejas contêm apenas uma semente; chamadas de peaberries, essas sementes únicas são menores e mais densas e produzem, na opinião de alguns, um café mais doce e saboroso. A fruta é colhida à mão quando está totalmente madura e de cor vermelho-púrpura.

As cerejas são processadas desprendendo as sementes de café de suas coberturas e da polpa e secando as sementes. Todos os grãos devem ser removidos das suas frutas e secos antes da torrefação. Três técnicas são usadas para processar o café: o processo seco, ou "natural", o processo húmido (e lavado) e um processo híbrido chamado de método semi-lavado, ou "natural descascado". O café resultante desses processos é chamado de café verde, que está então pronto para torrefação.

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Imagens: café no Estreito da Calheta, Ilha da Madeira

fontes: Enciclopédia Britânica; Nescafé; Ncausa

Vídeo Abelhinha: O Café (na Madeira)

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