Abelha como símbolo

O vocábulo abelha integra o nome e a figura da abelha é o símbolo da Associação pelo facto de ser um inseto promotor da vida no planeta, como agente da preservação da natureza e da vida humana. A abelha é símbolo da cooperação, organização, labor, diligência e ordem. É associada ainda à abundância e à biodiversidade. A identificação, recolha e propagação vegetativa, com principal enfoque nas pomóideas, designadamente de variedades regionais endógenas ou silvestres de pêro/maçã e de pêra, com vista à sua preservação, é um dos principais objetivos da Associação Abelhinha.
O desenho da abelha no logótipo da associação, criado por Daniela Silva, estudante universitária de Artes Plásticas, natural do Estreito da Calheta, forma o inseto num único traço, numa série de voltas, uma espécie de dança, de um modo orgânico, espontâneo, minimal, entre o figurativo e abstrato, pondo em movimento o pensamento de quem vê e interpreta.
A dança, uma linguagem gestual, é utilizada pelas abelhas para informar as restantes sobre a descoberta de alimento e guiá-las por meio de indicações sobre a direção e a distância, além do próprio odor e do néctar, que também servem de referência. A abelha descobridora que volta à colmeia é «rodeada pelas companheiras no meio de grande efervescência», segundo relato das revelações pioneiras de Karl von Frich*. Depois, seguida das companheiras, executa danças.
Uma das danças consiste em traçar «círculos horizontais da direita à esquerda, depois da esquerda à direita, sucessivamente». A outra, «acompanhada por uma vibração contínua do abdómen» (“dança do ventre”), imita mais ou menos a «figura de um oito: a abelha voa reto, depois descreve uma volta completa para a esquerda, novamente voa reto, recomeça uma volta completa para a direita, e assim por diante. Após as danças, uma ou mais abelhas deixam a colmeia e partem diretamente para a fonte que a primeira havia visitado e, depois de saciar-se, voltam à colmeia onde, por sua vez, se entregam às mesmas danças, que provocam novas partidas.» As danças são, pois, mensagens pelas quais a descoberta é assinalada à colmeia.
A dança em círculo anuncia que o «local do alimento deve ser procurado a pequena distância, num raio de cem metros aproximadamente em redor da colmeia.» A dança em que a abelha vibra e descreve oitos indica que o «ponto está situado a uma distância superior, além de cem metros e até seis quilómetros.» Esta mensagem contém a indicação da distância e da direção. A distância está implícita no «número de figuras desenhadas em determinado tempo». 
Quanto mais lenta é a dança, maior é a distância. A direção para o alimento é assinalada pelo «eixo do oito, em direção ao sol: segundo se incline para a direita ou para a esquerda, esse eixo indica o ângulo que o local da descoberta forma com o sol.» Note-se que as abelhas são capazes de orientar-se mesmo com o tempo encoberto devido a uma «sensibilidade particular à luz polarizada.»
As abelhas são atraídas por flores perfumadas e de cores vibrantes, escolhendo aquelas que são as mais ricas em néctar e pólen. Sabe-se que a qualidade, aroma e sabor do mel resultam da riqueza da vegetação espontânea nos diferentes espaços botânicos. A partir do 23.º dia de vida as obreiras dedicam-se à recolha de néctar e pólen. As que recolhem néctar podem transportar para a colmeia entre dois e quarenta miligramas por viagem. As que pastoreiam pólen, entre dez e trinta miligramas. Cada abelha faz entre dez e quinze viagens por dia. Ao fim de mais de 800 quilómetros de voo ao longo da sua curta vida, a abelha morre**.
As abelhas são fundamentais para a regulação e equilíbrio dos ecossistemas, por ser indispensável a polinização, que se dá quando buscam o pólen, pois é através dela que cerca de 80% das plantas se reproduzem. Estima-se que 70% da agricultura mundial dependa, exclusivamente, das abelhas. Há quem calcule que a Humanidade teria apenas mais quatro anos de existência caso desaparecessem por completo. A actividade humana, sobretudo, tem conduzido à extinção de espécies de abelhas e redução acentuada da sua população. O filme documentário More Than Honey (2012) de Markus Imhoof aborda esse declínio.
A abelhas foram, inclusive, declaradas como os seres vivos mais importantes na Terra pelo Earthwatch Institute, em Julho de 2008, após um debate de cientistas na Royal Geographic Society de Londres.
Contudo, a escolha do nome Abelhinha para esta associação pretendeu abrir um outro ângulo de leitura: há algumas décadas, o automóvel pequeno (incluindo o táxi, nessa época ainda de cor preta e tejadilho verde) era, popularmente, designado de Abelhinha, no Arquipélago da Madeira e outras zonas do País. Essa denominação devia-se à pequenez do insecto e à velocidade da deslocação feita por carro. O automóvel era tão rápido que parecia voar como uma abelha obreira. Esta referência popular, com significado de rapidez e diligência, foi tida em conta na denominação da Associação Abelhinha.
* Karl Ritter von Frisch (1886-1982), professor de Zoologia na Universidade de Munique foi agraciado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1973, por estudar o comportamento dos insetos, em especial as abelhas: um dos seus estudos mais notórios foi sobre a comunicação entre as abelhas. Citações: Émile Benveniste, Problemas de Linguística Geral, capítulo “Comunicação animal e linguagem humana” (pp.60-67), tradução de Maria da Glória Novak e Luiza Neri, revisão do prof. Isaac Nicolau Salum, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1976.
** Fugas: Jornal Público n.º 10993
Copyright © 2026 Associação Abelhinha
crossmenu