Há quase vinte anos que procurávamos um exemplar desta variedade de pêro Mancano. Pelo relato dos mais antigos, em tempos idos terá havido uma apreciável produção, mas com o abandono dos terrenos e os incêndios a variedade Mancano era dada como quase extinta. Quando procedíamos à colheita de pêro da Ponta do Pargo, no sítio do Lombo, descobrimos dois velhinhos exemplares centenários a contemplar o mar, recusando-se a morrer mesmo com a provecta idade.

Pêro rajado, semelhante ao da Ponta do Pargo apenas no aspecto, ácido, duro, suculento e com algum amargor no final, pelo que era usado quase exclusivamente para a produção de sidra, o qual depois de pisado com pisões de madeira dava o precioso sumo, que alguns agricultores aproveitavam para juntar ao mosto de uvas e, assim, aumentar uns litros a produção de vinho para consumo caseiro.

No sítio do Amparo, Ponta do Pargo, há um lagar para produção caseira de vinho de uvas, o qual possui a curiosidade de incluir uma pia em pedra onde eram pisados os pêros e o sumo escorria, directamente, para o lagar misturando-se com o mosto de uvas.

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